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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Caminho as Índias CCBB


Fui no CCBB no penúltimo dia de exposição, sábado, cheguei era meio e dia e o movimento ainda estava bem tranquilo, quando sai estava uma fila enorme!! O acervo está dividido em quatro eixos temáticos: Homem, Deuses, Formação da Índia Moderna e Arte Contemporânea.

Índia 1,2 bilhão de habitantes e 22 línguas oficiais que loucura ne? Imagina tantas pessoas num país onde não há leis de transito, animais, automóveis e pessoas passando pelo mesmo lugar... Os animais são sagrados, a um rio onde cinzas de mortas são banhadas nele e o povo cre que mergulhando consegue purificação...

Na Índia a maioria dos trabalhos são manuais, trabalhos feitos com muita paciência, dedicação, criatividade e exploração de muitas cores com um teor artístico rico e símbolico. Esse Ganesha (sem olhar o lado espiritual), falando do trabalho manual muito bem feito e bonito. Os trages finos para casamentos são lindos demais.

O fazer manual deste povo é na minha opinião o que impede de adoecer mais, pois sabemos de sua pobreza, falta de higiene, fome, doenças e misérias, lugares onde o odor é conhecido devido sua pobreza. Um povo com fé em vários deuses que tem seu grande líder, Gandhi (um grande pacificador).
 Esse povo tem uma riqueza de deixar qualquer um de boca aberta!
Foi muito gostoso conhecer um pouco deste povo e sua arte.
Compro os seguintes livros, FAVOR ENTRAR EM CONTATO:

AMOR, CELIBATO E CASAMENTO INTERIOR 
John P. Dourley  São Paulo: Cultrix, 1989  -166 p. 
O autor, padre católico e analista junguiano, mostra as implicações filosóficas, psicológicas e teológicas do modelo de psique desenvolvido por Jung. 
ARQUÉTIPO CRISTÃO  (O) - Um comentário junguiano sobre a vida de Cristo 
Edward F. Edinger  São Paulo: Cultrix, 1988 -148 p. 
Uma interpretação das imagens e eventos do mito cristão, compreendido simbolicamente em termos do processo de individuação. 
BÍBLIA E PSIQUE - Simbolismo da individuação no antigo testamento 
Edward  F. Edinger  São Paulo: Paulinas, 1990 - 262 p. 
O autor procura mostrar que imagens e símbolos encontrados na Bíblia  podem ser vistos, de um  ponto de vista arquetípico, como representando um encontro entre o Ego e o  Si-Mesmo,  um aspecto importante do processo de individuação. 

CURANDO A ALMA MASCULINA - O cristianismo e a jornada mítica (ljs americanas, 52,50 bom de faro livraria da sac@travessa.com.br)
Dwight H. Judy  São Paulo: Paulus, 1998 -270 p. 
Trabalho que apresenta os padrões da psique masculina presentes nos mitos gregos, nas lendas do Graal e nas escrituras judaico-cristãs, os quais, subjacentes na personalidade do homem ocidental, exercem significativa influência na sua história. Em face disso,  o autor propõe ao homem contemporâneo uma reconciliação com  cada um dos padrões arquetípicos presentes nesses mitos, lendas e escrituras, como  forma de encontrar respostas aos desafios que enfrenta no momento presente. 

DEUS, SONHOS E REVELAÇÃO - Interpretação cristã dos sonhos 
Morton T. Kelsey  São Paulo: Paulus, 1996 - 467 p. 
O autor resgata o significado dos sonhos na tradição cristã.  Sugere aos cristãos práticas para a compreensão dos seus próprios sonhos.  

DO INCONSCIENTE A DEUS 
Erna van de Winckel  São Paulo: Paulinas, 1985 - 177 p. 

Erna Winckel propõe um diálogo entre a psicologia moderna e a religião, pois entende que  a realização da individualidade humana não pode dar-se  exclusivamente pelos caminhos da psicologia moderna. Para ela, o homem somente alcançará a plenitude se retornar à relação original, voltando-se para o Deus imanente na alma e  para o transcendente. 

DOENÇA QUE SOMOS NÓS (A)  - A crítica de Jung ao cristianismo 
John P. Dourley  São Paulo: Paulus, 1987,  136 p. 
O autor apresenta as críticas de Jung à unilateralidade do cristianismo  fundamentado em ideal masculino e extrovertido. 

 ENCONTRO COM O SELF -  Um comentário junguiano sobre as Ilustrações do Livro de Jó de William Blake 
Edward F. Edinger  São Paulo: Cultrix, 1991 - 95 p. 
Edward F. Edinger,  a partir das ilustrações de William Blake,  descreve o livro bíblico de Jó como paradigma de certa experiência psicológica em que ocorre o confronto entre o "ego" e o "Self". 

JESUS NA PERSPECTIVA DA PSICOLOGIA PROFUNDA 
Hanna Wolff 
São Paulo: Paulinas, 1994 - 292 p. 
A autora procura interpretar a figura de Jesus, na perspectiva da psicologia profunda. 

JESUS PSICOTERAPEUTA 
Hanna Wolff  São Paulo: Paulinas, 1990 - 207 p. 
Hanna Wolff descreve a sua experiência clínica, segundo a qual a utilização de textos  bíblicos,  principalmente dos evangelhos, durante as sessões psicoterápicas,  fazia com que os seus pacientes obtivessem melhor proveito das análises. 

JUNG E O CRISTIANISMO 
Christopher Bryant  São Paulo: Loyola, 1996 - 131 p. 
Contém uma interpretação pessoal do pensamento de Jung para os cristãos. O autor diz que a compreensão junguiana da experiência religiosa  e a sua consideração pela dimensão humana nela implicada são valiosas para os que crêem em Jesus Cristo. 

LENDA  PESSOAL   (A)  - Nas fronteiras da parapsicologia 
Hanna Wolff  São Paulo: Paulinas, 1993 - 109 p, 
O tema da lenda ou mito pessoal,  conhecido há muito tempo, sobretudo por escritores e  filósofos,  alcançou maior ressonância e significado especial com a descoberta do inconsciente.  Jung considerava  que o homem deveria ser capaz de viver o seu mito pessoal,  dizendo  sim ao chamado de sua alma.  Nesse livro, Hanna Wolff considera como um dos objetivos da psicoterapia  facilitar ao paciente o encontro da sua lenda pessoal. 

PSICOLOGIA PROFUNDA E NOVA ÉTICA 
Erich Neumann  São Paulo: Paulinas, 1991 - 112 p. 
Erich Neumann,  analisa a velha ética apoiada na cultura  judaico-cristã, inspirada pela busca da perfeição, mostrando que ela não soube lidar com a sombra negativa da psique, suprimindo-a e reprimindo-a.  


PSICOLOGIA E VIDA MÍSTICA 
Leon Bonaventure  Petrópolis: Vozes, 1996 - 240 p. 
O autor,  fundado na obra de C. G. Jung e de autores cristãos, principalmente na de Santa Teresa de Ávila,   apresenta a tese de que uma análise  psicológica,  concebida numa perspectiva cristã,  pode ser caminho para o reencontro  de uma experiência cristã das realidades da alma. 

 PSIQUE COMO SACRAMENTO  (A) 
John P. Dourley  São Paulo: Paulinas, 1985 - 165 p. 
O autor analisa a obra de Jung e a de  Paul Tillich,  examinando pontos comuns entre ambos sistemas e  o sentido mais profundo de Deus, Cristo, o Espírito e a Trindade para  concluir que "Na profundidade  da alma a tarefa psicológica e a tarefa religiosa são uma só". 

 SONHOS-Símbolos religiosos do inconsciente 
James A. Hall  São Paulo:  Loyola, 1994 - 105 p. 
Nesse livro, o autor explora as imagens religiosas que se  manifestam nos sonhos dos seus pacientes e demonstra a sua relação com a mitologia universal.  

UMA BUSCA INTERIOR EM PSICOLOGIA E RELIGIÃO  resumo
James Hillman  São Paulo: Paulinas, 1984 - 138 p. 
Livro constituído, na sua maior parte,  por conferências proferidas pelo autor,  a convite de ministros religiosos que trabalham em aconselhamento psicológico e pastoral. Nessas conferências, ele aponta os danos causados pela substituição da alma pela psique, afirmando que as questões relativas à alma devem permanecer no ambiente da busca interior e religiosa contemporânea. A cargo dos psicólogos ficaria o tratamento clínico dos problemas da psique.


terça-feira, 25 de outubro de 2011

VISITA AO MUSEU DE ARTE CONTEMPORANEA


“A minha preocupação é penetrar mais na natureza. Há artistas que se aproximam da máquina; eu quero a natureza, quero dominar a natureza. Criar com a natureza, assim como outros estão querendo criar com a mecânica. Não procuro a paisagem, mas o material. Não copio a natureza”. (Krajcberg)

     Um museu com uma arquitetura moderna, apresentando uma exposição totalmente atual e futura, conduzido por um chão vermelho (“tapete vermelho”). Lugar lindo onde o MAC está instalado, o espaço físico do MAC se torna pequeno e pequeno em relação a tamanha beleza a sua volta. Mas acho muito interessante o fato do Mac, abrir as portas para esta exposição como esta escrito na entrada “Ano Mundial da Árvore 2011”, pois ele é rodeado de natureza, árvores, sendo uma escolha totalmente ligada a exposição central, pois mostra uma outra realidade, mostrando e levando a reflexão a outra face da natureza, no caso, a que poucos vêem, além de ser totalmente contemporânea em relação ao tempo, pois se fala muito em preservação e sustentabilidade.

      A exposição central é de Frans Krajcberg, artista plástico e ambientalista de 90 anos, com uma intensa relação com a natureza. Uma verdadeira denúncia sobre as queimadas de árvores, feitas por homens ou pela própria natureza frente a destruição do mundo causado pelo homem através de fotos, construções de reciclagem dos troncos, árvores queimadas e vídeo.

     A exposição começa pelas fotos ao lado direito com a denúncia das queimadas. A foto que abre é impressionante, pois através do trágico momento a foto se torna bela, pelo contraste das cores, e por mostrar a árvore resistindo mesmo dentro de uma queimada. Foto bem chocante que inicia a exposição. Ao tirar foto deste quadro, a foto era tão real, que quem vê a foto que tirei da máquina pensa que eu estava no momento registrando a cena.

     Depois, parede com as construções “menores”, com pedaços de troncos e o acréscimo de argila, com o qual Frans complementava modelando e depois pintava com pigmentos naturais  (não usa tinta), o vídeo mostra como é feita essa pintura, ele joga os pigmentos naturais e depois joga água. Uma obra plástica nesta parede dava um efeito de papel quando queimado nas pontas, na minha leitura simbolizando a árvore, que na verdade é dela que o papel sai, interligando as metáforas. 

     Na outra parede o belo da natureza, árvores diferentes que conseguiu registrar com seus muitos anos de vivencias com a natureza. Como uma que crescia para baixo e parecia um animal de grande porte.

     No meio, construções independentes, que se sustentavam por si só. Havia quatro construções em cima de um círculo com muitos carvões. Dando várias interpretações a quem assistia.

“A minha preocupação é penetrar mais na natureza. Há artistas que se aproximam da máquina; eu quero a natureza, quero dominar a natureza. Criar com a natureza, assim como outros estão querendo criar com a mecânica. Não procuro a paisagem, mas o material. Não copio a natureza”. (Krajcberg)

     Frans transforma a árvore queimada, ou seja, que passa pelo elemento fogo que não serve mais para nada em obra de arte, e da uma nova reformulação.  Algo útil, gerador de emoções, sensações e reflexões. Transformando em árvores, com flores, folhas, frutos, transformando-as em belas, mostrando valorizando os detalhes como de um tronco que lá estava e mais pareciam serem esculpidos nele.
“O simbolismo do fogo marca a etapa mais importante da intelectualização do cosmo, e afasta o homem cada vez mais da condição animal.” (Chevalier)

      Frans retrata na matéria sua história, pois sempre esta PASSANDO PELO FOGO e tendo que se regenerar (época da Segunda Guerra Mundial em que teve que fugir para sobreviver, mas viu seus pais sendo mortos, num momento mais atual roubaram tudo dele, principalmente objetos de valor simbólico, que segundo ele foi maior perda que o dinheiro, entre outros momentos difíceis), expressando através de seu trabalho, suas obras, sua reformulação, buscando o equilíbrio (a técnica de construção fala muito disso) depois do fogo, diante de tantas situações complicadas. É em função da atitude do homem com o fogo que estimula todo este processo que Frans leva a uma conscientização, reflexão e denúncia e quem sabe ações.
     Sua construção envolve modelagem com a argila (barro), para complementar e dar o efeito que ele gostaria de dar e a pintura como já tido antes e utilizava da fotografia e vídeo.
“...podemos nos perguntar sobre o que falam os trabalhos de Vanderlei Lopes. Eles emulam o instante fotográfico, limiar entre a existência e a dissolução das coisas. Tempos incertos só cabem na imagem, pois nela nos damos conta do quanto o instante pode ser fantasmagórico, ao se fixar aquilo que ainda existe e simultaneamente começa a passar, inexistir. E também porque imagens são capazes, mesmo que por um ardil fugaz, de fingirem em certas ocasiões existir além ou aquém do tempo.”(Guilherme Bueno)

     No segundo andar, a exposição de Vanderlei Lopes: “Horas Seculares Instantâneas”, titulo já intrigante, mas é realmente o que ele quer passar, a noção de tempo, o que ocorre ou deixa de existir nele ou como pode ser simulado. Pinturas sobre cerâmica em formatos gregos estão dispostos, pois a cultura grega ainda tem seu peso sobre os dias atuais e é muito lembrada, com cenas do mundo atual como queimadas, explosões, aviões e natureza, do qual estão sobre um jogo de espelhos, que além de refletir os vasos para baixo, projeto por causa da luz e sombra em cima, dando até um tamanho maior dos objetos. E colocando questões de tempo da natureza e tecnologia juntos em ação.

     Ele se utiliza assim como Frans dos recursos de fotografia, vídeo e modelagem. Um vídeo modelando o bloco de argila, dando várias formas e mostrando como um objeto pode modificado na linha do tempo e outro desenhando com as mãos pólvoras sobre o chão, formando uma árvore, do qual depois tacava fogo fazendo menção as queimadas das árvores e mais uma vez ao tempo que essas transformações acontecem. E no fim o que fica é aquele desenho só que cinza, uma crítica deste triste fim de “cinzas”. Uma foto mostra uma catedral feita de bronze de cabeça para baixo, com a parte de dentro oca, sem preenchimento, sugerindo o abismo interno, como foi descrito pelo curador da exposição.

     Ambos falam da questão do tempo, denunciam, questões contemporâneas do homem e seus efeitos sobre a natureza, como as queimadas mostradas por ambos. Porém a questão de tempo é retratada de forma diferente. Frans denuncia o tempo das queimadas para levarmos a reflexão do futuro, para fazermos algo enquanto a tempo, já Lopes não tem preocupação nenhuma com o futuro, e sim com o registro do tempo, ele trata do presente, do momento e seus movimentos em alguns momentos faz menção ao passado, como os dos gregos, mas levando-os para o presente. Exposições reflexivas e que pretendem gerar mudanças a nível de Sustentabilidade e preservação da natureza.

sábado, 24 de setembro de 2011

DESENVOLVIMENTO INFANTIL



Um Pequeno e simples esclarecimento dos Estágios do
 Desenvolvimento Cognitivo(Piaget)

Ninguém herda inteligência e sim aspectos biológicos, com eles interage com seu ambiente e vai se construindo e passando por estágios naturais do desenvolvimento.

O desenvolvimento é progressivo e caminha para o equilíbrio. Lembrando que equilíbrio é aprender a lidar com a realidade, é um encontro com a realidade, , obstáculo e adaptação.


·         Período Sensório Motor (0-2 anos)

Inteligência sensório-motora ou prática. Se dá através da manipulação de objetos, aquisição de habilidades e adaptação do tipo comportamental, mas não há representação interna. Sem diferenciação entre o eu e o mundo externo. A realidade é apenas aquilo que se vê.

Inteligência prática – receber e agir.

Conquistas através da percepção e dos movimentos.

Estimulação com brinquedos que tem movimentos e fazem barulhos, como por exemplo, o chocalho. Quanto mais rico o ambiente (estimulador), melhor e mais rápido seu desenvolvimento.

O bebe lança os objetos a distancia para perceber e ter noção de distancia. Pode-se brincar de jogar bola para que ele tenha esta percepção.

  • Período Pré Operacional (2 – 6 anos)

Capacidade de formar esquemas simbólicos: de brincar, falar e transformar significados dos objetos.

Egocentrismo: visão da realidade por parte do próprio eu, não concebendo uma situação da qual não faça parte.

Egocentrismo intelectual: incapacidade de se colocar do ponto de vista dos outros e julgamentos depende da percepção imediata, julga pelo o que vê. Ausência do pensamento conceitual e das noções de conservação de invariância.

Agora amadurece sensorialmente e desenvolve a parte neuronal desenvolvendo aspectos que se fossem estimulados antes não desenvolveriam.

A capacidade de simbolizar, criar imagem, brincar de se esconder (exprime separação, desaparecer e aparecer de novo)

  • Período das Operações Concretas (7-11 anos)

Capacidade de formação de esquemas conceituais, a realidade passa a ser estruturada pela razão.

As ações físicas passam a ocorrer mentalmente. Perde o egocentrismo e aceita a explicação do outro.

  • Estágio das Operações Formais (12 anos em diante)

Capacidade de pensar em termos abstratos, como compreender a religião, amor e fé.

Capaz de pensar em termos de possibilidades.

Ápice do desenvolvimento cognitivo.




quarta-feira, 10 de agosto de 2011

REDE DE CULTURA DA BAIXADA FLUMINENSE

Participe deste grupo, venha somar conosco!!!

A Rede Cultural da Baixada Fluminense reúne artistas, produtores culturais entre outros profissionais que se preocupam com a cultura na região e querem escoar no mercado de trabalho sua arte.

Este foi um dos encontros realizado: Mesa Mercado Cultural na Baixada Fluminense Desafios e Possibilidades.

Com destaque a Fernanda Delvalhas Piccolo coordenadora do Curso de Produção Cultural IFRJ.

Os encontros são quinzenais, participe, deixe seu legado, venha somar conosco: juntos podemos mais!


sábado, 16 de julho de 2011

A CURA DA LOUCURA: ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO, O ARTISTA DO FIO.

"Não faço isto para os homens, mas para Deus"

Um inconsciente a céu aberto: “eu faço por que sou obrigado [pelas vozes], se não fosse obrigado não fazia nada disso não”.

Miniaturas que permitem a minha transformação, isso tudo é material existente na terra dos homens. Minha missão é essa, conseguir isso que eu tenho, para no dia próximo eu representar a existência da Terra. É o significado da minha vida.


Pude visitar na Caixa Cultural uma pequena obra do artista sergipano (1909 - 1989), que construi obras por 50 anos de vida. Onde a maior parte do tempo estava internado numa instituição psiquiátrica do Rio de Janeiro, pois era esquizofrenico - paranóico.

Descentende de escravos africanos, prestou serviços a marinha dos 15 aos 23 anos, era o sinaleiro-chefe (rsrs, que interessante essas palavras) e lutava boxe. Tornou-se empregado de uma tradicional, rica família de Botafogo no Rio de Janeiro, mas não aceitava receber dinheiro, pois era uma forma de retribuir o que seu chefe, antes só advogado fez por ele numa causa trabalhista. Tinha moradia e comida e em troca fazia serviços domésticos.
Até que aos 29 anos despertou com alucinações e daí não parou mais. O delírio, como nos afirma Freud, é uma tentativa de CURA DIANTE DA PSICOSE. Já outro psicanalista Lacan (1988), explica que a psicose é uma forma de estruturação do sujeito na qual sua relação com o Outro não encontra uma mediação que possa barrar a intromissão deste Outro. Assim, o sujeito se sente invadido por vozes, visões e ações que vêem de fora, de outro lugar. Para dar conta disso, oosujeito cria versões que possam explicar para si próprio o que ele está vivenciando, ou seja, cria outra realidade para dar conta daquilo que o invade e que não tem para eleo menor sentido. Bispo dizia que Deus queria que ele reconstruisse o mundo. Ele era o próprio "Jesus". 
Até que foi detido e fichado pela polícia como negro indigente e sem documentos internado no hospicio do Pedro II, primeira instuição oficial com objetivo de receber doentes mentais, alcólicos etc.) de lá foi transferido com apenas 1 mês para a intituição Jiuliano Moreira. Época mais obscura da psiquiatria.
Considerado agressivo, foi colocado na solitária com apenas um fino colchão e um buraco com fezes e alguns insetos devido a falta de higiene. Estava num pavilhão para doentes perigosos (melhor era mesmo ser louco num lugar desses, a cura o traria para uma realidade desumana naquele local) . Depois se tornou "chefe" do pavilhão com sua brutalidade e socos, o que muitas vezes o protegia de eletrochoques e medicação. Passou ali maior parte de sua vida. Continha pacientes mais rebeldes e passou a se acalmar também. Ganhando a confiança dos funcionários, pedia a um enfermeiro para trancafia-ló numa cela e lá passava meses, muitas vezes negava comida: "vou secar para virar santo". E nesse isolamento surge sua cura, opa, arte! Rs. Dizia que sua obra era para Deus, pois Deus o incubiu que ele registrasse a paisagem aqui na terra.
Cada objeto prontos ou construídos de sua obra foram recorbertos por fios azuis. Fios azuis? Fios dos uniformes da colônia Jiuliano Moreira, ele DESFIAVA FIO A FIO DAS ROUPAS E COBRIA SEUS OBJETOS e suas sucatas, oriundo do lixo do local, que funcionários o faziam ter acesso. Ele bordava pano e velhos lençois do hospital, construindo manto e estandartes. Fazia assemblages. “O louco é um homem vivo guiado por um morto.”


“Os doentes mentais são como beija-flores: nunca pousam, ficam a dois metros do chão”. Arthur Bispo do Rosário.

Se recusava a tratamentos médicos, afirmando que este era seu melhor tratamento.
O que o diretor do museu, Luiz Carlos Mello, interpreta como: "ao desfiar o uniforme despersonalizante, que é o símbolo máximo de uma instituição psiquiátrica , ele cria a sua individuação".


Objetos músicais, arquetetônicos e do uso do cotidiano são suas produções. Uma desconstrução institucional para uma construção de um novo significado. Sem contar o que se vê, o que não se vê e o que não se vê (diante de sua obra fiquei pensando nisto, é a base). Algumas denuncias?

Morre de enfarte.